Mujeres Brasileras resisten el agronegocio
900 mujeres de la Via Campesina de Brasil invadieron durante la madrugada del martes 4 de marzo una hacienda propiedad de la empresa sueco finlandesa Stora Enso en Rio Grande do Sul. A continuación, la Brigada Militar PM de Rio Grande do Sul realizó un desalojo violento, deteniendo a 700 mujeres, hiriendo a sesenta y llevando a una prisión. Una de las mujeres fue detenida, acusada de formación de pandilla y desacato a la autoridad. Los otros cientos de mujeres fueron llevadas a un espacio deportivo, pues no había espacio en la cárcel para todas ellas. Los abogados que se hicieron cargo del caso estuvieron intentando negociar que por lo menos los 250 niños que acompañaban a sus madres pudieran comer, pues durante la detención de las mujeres los tuvieron todo el día sin alimento. Además, fueron amenazados de ser llevados al tribunal de menores. Las mujeres heridas no recibieron atención médica inmediata, y tampoco hasta la recepción del comunicado informando de estas circunstancias.
Lea el resto del artículo y apoye a las mujeres con una carta.
Para protestar en contra de las violentas acciones de la Brigada Militar, integrantes de la Via Campesina y del Movimiento Sin Tierra (MST) bloquearon 8 tramos de vías en el estado de Rio Grande do Sul.
Las organizaciones campesinas brasileras acusan al Estado brasileiro de “estar al servicio de una empresa Finlandesa, que comete un crimen al comprar 86 mil hectareas de medianos y grandes propietarios, en el área de frontera con Uruguay y Argentina, lo que está prohibido por la ley”. Con las protestas, pretenden denunciar la gran expansión de las plantaciones de eucalipto de la Stora Enso, y sus pretensiones de tramitar ante el Congreso Nacional la reducción de la faja fronteriza protegida de Brasil de 150 a 50 kilómetros.
La registro de los hechos por parte de los medios de comunicación de masa brasileros ha tendido más bien a criminalizar la protesta popular. Entre otras cosas, los periodistas cuestionan la actuación de las mujeres con la cara tapada. Cabe destacar que la mayoría de los periodistas que han opinado sobre este tema son hombres urbanos, que desconocen la realidad de la mujer campesina sin tierra para trabajar, que sale a reivindicar sus derechos básicos que le son sustraídos por empresas multinacionales como la Stora Enso que no dudan en violar los derechos humanos de estas mujeres y sus familias.
Vea el video del Movimiento de Mujeres Campesina (MMC) conmemorando el día internacional de la mujer en:
http://br.youtube.com/watch?v=StbIsrSDoE0
Vea el video “Voces de Latinoamérica en contra del Desierto Verde”, con el testimonio de Luci Piovesan, dirigenta del Movimiento de Mujeres Campesinas de Rio Grande do Sul y de otros afectados por el monocultivo extensivo de eucalipto.
http://www.wrm.org.uy/Videos/Voices_LA.html
Por favor, envien sus mensajes de protesta a la gobernadora Yeda Crusius a
gabinete-governadora@gg.rs.gov.br
Y sus mensajes de solidaridad con las mujeres de la Via Campesina, que están actuando para denunciar las irregularidades y el avance del monocultivo de eucalipto a
mstrs@mst.org.br
Si lo prefiere, puede firmar la carta que encuentra abajo, que será enviada automáticamente a ambas direcciones. Muchas gracias por su apoyo.
CARTA
Estimadas mujeres campesinas de Brasil:
por medio de este mensaje, queremos expresar nuestro apoyo y solidaridad con la causa que ustedes defienden.
Nos solidarizamos con su defensa de la vida y la naturaleza.
Nos solidarizamos con la resistencia a la expansión excesiva del agronegocio, provocada por la sed excesiva de consumo y de energía de los países del Norte.
Nos solidarizamos con ustedes y con sus hijos, que salen de sus casas para hacer el esfuerzo de reivindicar una causa justa, y que son atacadas, agredidas, heridas, amenazadas y encarceladas.
Repudiamos la expansión del monocultivo de eucalipto por parte de la empresa transnacional sueco finlandesa Stora Enzo en Rio Grande do Sul.
Repudiamos la actuación de la Gobernadora Yeda Crusius por su complicidad con el agronegocio transnacional.
Repudiamos la actuación de la Brigada Militar (PM de RS) contra las mujeres campesinas y sus hijos.
Repudiamos la reacción de los medios de comunicación de masas brasileros, que prefieren criminalizar la protesta campesina y popular, en lugar de brindar su apoyo informando la verdad de los acontecimientos.
Reciban nuestro apoyo
Firma(s)
Más información:
Lea las reivindicaciones de las mulheres en el manifiesto:
Manifesto das Mulheres da Via Campesina
Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma
vez mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa
luta contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da
população brasileira.
A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida
respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região.
Hoje em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas
multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso
à terra, à água e aos alimentos.
Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades
agrícolas nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é
importante em uma agricultura camponesa porque sabemos produzir
alimentos. Mas as empresas do agronegócio não estão preocupadas em
produzir comida, só em produzir lucro transformando o campo em
desertos verdes (de eucalipto, de soja, de cana). Um dos desertos que
mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto para celulose.
As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e
na Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra,
água, clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses.
Mais de 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação.
Assim, reduzimos a produção de comida, destruímos a biodiversidade,
aumentamos a pobreza e a desigualdade para atender a demanda de lucro
das empresas e um estilo de vida consumista nos países ricos. Esse é o
papel horroroso que o Brasil cumpre hoje no mundo.
Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio
Grande do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei
brasileira estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da
fronteira do Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já
tem milhares de hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo
da fronteira gaúcha com este país que essa gigante do ramo de papel e
celulose quer formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares.
Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa
Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que
por ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.
Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa
laranja que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária
Azenglever Ltda, cujos donos são dois importantes funcionários da
Stora Enso. Eles se tornaram os maiores latifundiários do estado,
sendo "proprietários" de mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal
é de conhecimento dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, do
Incra, da Polícia Federal, mas nada de concreto foi feito para impedir
o avanço do deserto verde. Decidimos então romper o silêncio que paira
sobre esse crime.
Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse
deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso
país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso
estado que está cada vez mais sem terras para produzir alimentos.
Estamos arrancando o que é ruim e plantando o que é bom para o meio
ambiente e para o povo gaúcho.
Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos
estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para
legalizar o crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o
desenvolvimento econômico dos municípios. Mas isso é uma grande
mentira. Todos sabem que a Metade Sul não se desenvolve por causa do
latifúndio e das monoculturas. Tanto que a faixa de fronteira também
vigora na metade norte do estado e nessa região a economia é dinâmica.
As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas
onde elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os
trabalhos que geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em
condições precárias. Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul,
de 2,1 mil hectares onde a Stora Enso gera somente dois empregos
permanentes e alguns empregos temporários.
Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas
100 famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes.
Portanto, a Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a
melhor alternativa para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e
renda para a população do campo e alimentos saudáveis e mais baratos
para quem mora nas cidades.
O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira
brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma
ameaça para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de
Fronteira irá aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os
biomas brasileiros são importantes e entendemos que o Cerrado e o
Pampa também precisam ser preservados.
Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:
- Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na
faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária.
Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a
Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias,
gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão
acampadas no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para
fazer assentamento.
- Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a
redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas
como a Stora Enso que querem se apropriar das terras para
transformá-las em deserto verde, destruir nossas riquezas naturais
como o aqüífero guarani e o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa
redução da faixa de fronteira só vai provocar aumento do êxodo rural,
do desemprego, da destruição ambiental e o fim soberania alimentar
pois vai faltar terra para produzir alimentos.
Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a
repressão do governo gaúcho. É prática desse governo tratar os
movimentos sociais como criminosos e proteger empresas que cometem
crimes contra a sociedade. Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da
vida das pessoas e do meio ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas
carregamos conosco a energia e a coragem das milhares de camponesas
que em todo o mundo lutam contra a mercantilização das riquezas
naturais e da vida. Como dizia a companheira sem terra Roseli Nunes,
assassinada covardemente em março de 1987 aqui no Rio Grande do Sul,
"preferimos morrer lutando do que morrer de fome!".
Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul,
Brasil, 04 de março de 2008
Assessoria de Comunicação da Via Campesina
Porto Alegre: 51 9994-6156
Rosário do Sul: 51 9992-7674

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Ola Amigos!! Les invito a acessar http://gilmardarosa.zip.net para ver los relatos del confronto. Saludos.
Gilmar da Rosa | 06-03-2008 - 23:50:09 GMT 1 #